A palavra sangrada de Civone Medeiros em livro #escriturasangradas

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Sexta, 09 de Outubro de 2009 | 18:16 UTC-3 | | Sem comentários

por Civone Medeiros @civonemedeiros (É você? Clique para confirmar)

Lançado pela editora Coleção POETIGUARES, o livro "Escrituras Sangradas" pode ser considerado um divisor de águas. Com suas transgressões e construções certeiras.

Por Michelle Ferret

Com sua inquietude latente ela oferece o café amargo para o leitor distinguir o agridoce de suas ideias. E faz mais… Reúne em si as quatro estações, os loucos, os becos, a realidade e um infinito de delírios. Quase sempre em primeira pessoa, os poemas do livro “Escrituras Sangradas” se dividem em duas partes. “Escrituras Sangradas – Toscas Fatias de Escrevinhaduras”, de 1999, com 65 poemas e o Livro 2 – “Ave de Arribaçã ou a Propósito de Viena e Outros Ondes” com 132 páginas. Ambos lançados na última quinta-feira, 29 de outubro para o mundo, inicialmente em poucas edições, apenas 100.

Ler cada poema é viajar na insensatez absoluta de uma mulher revirada ao avesso. Ela que se auto define “uma velha de mais de trinta e tantos anos/E uma criança de milhões de eras”, consegue imprimir em versos, afora o próprio corpo, a essência da vida. São vísceras expostas de letras embriagadas e outros ondes compondo versos verdadeiros. Inspirada em Hilda Hilst, Frida Kalho e Bispo do Rosário, ela costura suas ideias nos mantos imaginários. E assim se recompõe, reinventando a própria literatura. Talvez sua vida de artista tenha dado todos os ondes desses escritos. Ela que faz intervenções urbanas e humanas ainda consegue escrever em muros seus desejos mais antigos. É assim que Civone se escreve e se despe, vestindo-se de mundo. Da impureza e pureza dele. Como reza o título de seu poema, “A felicidade não me inspira”. Talvez a transpire ou a faça correr léguas. Longe dos parâmetros e dos métodos sociais, ela se desfaz amarras e consegue escrever palavras tão densas quanto o tempo.

“Viscerais Entranhas

De mente e coração

Sem canto neste mundo

Me canto imunda

Sideral

Pólibo sem rumo

Pensante nessa terra

Mal-passada

Revelo-me

Desencanto

Desenovelo-me

Por pântanos e Edens e

raro me encontro

Século vinte passante

Sinto-me sem era e sem surpresas com o devir…

Que venham passadas vidas outras

E m´atentem à incógnita filosofia

Amoral que de mim brota – e que nem tenho ainda!”

(Poema Canto do Livro 2).

São com versos cortantes como este apresentado aqui que os livros ganham ritmo. Um ritmo ora alucinado, ora devagar, parando nos recantos de quem lê. É assim o jeito que Civone encontra para escrever a própria realidade. Como escreveu o também poeta João da Rua, apresentando a poeta no segundo volume. “O texto escrito, sangrado na página, dialoga com a performance, com o corpo solto no texto das ruas, do cotidiano, do beco, do mundo”.

Ela não tem medo de se revelar e já nasceu com o espelho quebrado dentro de si. Atira-se, atina-se e brinca de escrever contos e cartas no meio dos poemas. Como o conto “E…”, quando a saudade é personagem principal. Outro achado interessante na obra são os fragmentos do Livro de Theta, quando encontramos pérolas como "Fixação”:

A retina retilínea

Entorta ventos

E

Brados marítimos

Cruza

Terras e ilhas

E

Te enxerga

Meu ninho

Natal

São com poemas, contos, escrituras sangradas e lavadas em água de chuva o liquido escorrido em Civone. Como ela escreveu em seu epigrama, no poema chamado “Humana Ambição”. “Não quero uma obra que tenha valor de mercado. Quero que tenha valor de expressão”. E assim assina-se embaixo, ao lado, por dentro. São expressões humanas retratadas como quem vive intensamente, como poucos. Sua palavra sangra.

Recado da autora:

“Remix-me, Remake-me, Share-me, Copy-me, Rip-me, Broadcast-me, Mix-me… Feedback-me…”.

Publicado na TN/Viver em 03 de Novembro de 2009 às 00:00.

As Escrituras e a Poeta »

Foto » Sandro Fortunato

Os livros estão à venda no Café Salão

Av. Duque de Caxias - Ed. Bila, 110 - Ribeira, Natal/RN.

Tel.: (84) 3212-1655 | contato@cafesalao.com | civonemedeiros@gmail.com

Escrituras Sangradas na MÍDIA ~ CLIPPING »

PRESS-RELEASE »

Retrospectiva Literária 15 anos Café Salão

Escrituras Sangradas (re-Lançamento)

Civone Medeiros faz festa literária no Café Salão

Eliade Pimentel - Jornalista Profissional DRT-RN 875

Duas escrituras como se fossem velho e novo testamento. Ambos atuais, língua viva, sangue latejando e esquentando a pele. Assim penso em Civone Medeiros, uma mulher sincera. Não esconde desejos, revela-se vestida, esconde-se nua como uma ninfa à beira de um lago de artes. A poesia de seus escritos tem um sentimento declaradamente sóbrio, impróprio para gente impura.

Ela tem a beleza de ser a mesma pessoa, tendo passado dez anos do primeiro verso marcado a ferro em Escrituras Sangradas, Livro 1, que será relançado no dia 29 de outubro, em Nalva Melo Café Salão. Reunindo mais poemas em mais viagens pela vida afora, Civone se refaz em verso e prosa e ensaiou durante um bom tempo o segundo volume da obra. Nasceu o novo testamento, o livro 2 de Escrituras Sangradas.

Quem reza com a cartilha da poeta e quem deseja se converter às suas preces, deve ir à festa de lançamento da coletânea, marcada para começar às 18h, do dia 29. Vai ser um encontro com recital de poesia, exposição de fotografias, performances e um toque-show, além dos inevitáveis encontros casuais e reencontros de quem não se vê há tempos nessa selva de pedra. A própria autora diz: “uma noite de intervenções urbanas e humanas”.

O mês de outubro – dedicado à literatura na retrospectiva dos 15 anos do Café Salão – reviverá o lançamento da primeira edição do livro 1 de “Escrituras Sangradas - Toscas Fatias de Escrevinhaduras”, de 1999, com 65 poemas. Segundo a própria, está tudo se encaminhando, “com tiragem pequena, mas sairão do prelo dois livros, ou seja, as Escrituras Sangradas são mesmo como a Bíblia, uma única obra, porém, com livros distintos”.

O Livro 2 – “Ave de Arribaçã ou a Propósito de Viena e Outros Ondes” – começou a ser escrito após o lançamento do primeiro livro, quando a escritora voa para a capital austríaca e vive uma nova fase de sua vida, com a filha Bianca (hoje uma linda moça) e um amor. Na mesma Ribeira, que o produtor cultural Marcelo Veni registrou em reportagem publicada no Jornal de Natal, a noite se tornou célebre e memorável.

“Nas suas performances, carvões, fígados e caranguejos fazem parte do figurino e cenários, seus recitais imprimem coragem e excita as veias dos que presenciam cada interpretação”, assim testemunhou Veni, assim se propõe a ser a noite do (re) lançamento das Escrituras de Civone. Não com esses mesmos elementos, mas com a mesma empolgação e sinceridade. O livro 1 traz prefácio assinado por Bianor Paulino, que ao final a descreve em uma frase. “Civone é uma poeta que se doma com o pé sobre a garganta de sua própria canção”.

O poeta João Batista de Morais Neto, mais conhecido por João da Rua, apresenta Civone no segundo volume, e declara: “o texto escrito, sangrado na página, dialoga com a performance, com o corpo solto no texto das ruas, do cotidiano, do beco, do mundo”. São os becos da lama, da quarentena e das ruelas do mundo que revelam uma poesia forte e necessária para quem não tem medo de se revelar. E certa feita ela justificou para o mundo todo o seu despojamento, mandou essa direta que foi publicada na capa de um suplemento cultural: “o corpo é uma ferida aberta que a sociedade precisa descascar”. Desse mal ela já nasceu curada.

Release em PDF » Aqui!

Retrospectiva Literária 15 anos Café Salão

Escrituras Sangradas (re-Lançamento)

Lançado em 29/10/2009 no Café Salão

Café Salão 15 anos

Ilustração da capa #1 »

Fotos: Rosa Maciel / Montagem: A.Martins

Ilustração da capa #2 »

Foto: G.Gabriel / Arte: Allan Talma

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Página gerada em 10 de Mar de 2010, 02:38:48