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Wednesday, July 01, 2009 | 16:52 UTC-3 | | No comments
O Google distribuiu, para todos os inscritos no Developer Day 2009, em São Paulo, convites para o developer preview do Google Wave. Não participei do evento, mas tive a felicidade de conseguir um invite para testar o que parece ser, até agora, a grande aposta do Google para 2009.
É difícil explicar o Wave. Para o usuário final, é uma ferramenta de colaboração, algo como uma mistura de mensageiro instantâneo, e-mail e gerenciador de documentos. Você adiciona contatos e se comunica com eles. A primeira diferença: é tudo em tempo real. Se seus contatos estiverem online, eles não só vão receber suas mensagens como verão você as digitando, letra por letra. O efeito é bacana:
À esquerda, o usuário que digita a mensagem. À direita, o usuário que recebe a mensagem. O sincronismo é em tempo real.
A tela completa do Wave é dividida em três partes: menu e contatos, à esquerda; lista de waves, no centro; o conteúdo do wave, à direita. Um wave é uma conversa, que inclui mensagens, respostas e desdobramentos. É como um thread do Gmail. A interface parece confusa, mas depois de algum tempo fica mais fácil entendê-la.

O editor de texto é simples mas completo. Você pode incluir fotos, arquivos, vídeos e widgets como mapas do Google em suas mensagens:

Por trás do Wave
Até aí, nada muito extraordinário. A revolução real do Google Wave está nos bastidores. Wave, na verdade, é o nome de um protocolo aberto. O Google Wave é um cliente Wave. Qualquer um, em tese, pode construir o seu próprio cliente Wave. Além disso, quem quiser pode ter o seu próprio servidor e oferecer esse serviço também. Não é algo centralizado como Twitter ou MSN. Lembra, ao contrário, a arquitetura de e-mail.
Quem quiser interagir com o próprio Google Wave - o cliente web - pode usar sua API. A API permite a desenvolvedores criarem widgets (extensores de funcionalidade), embeds (pequenos e especializados clientes Google Wave que podem ser "embutidos" em páginas web) e, o que me chamou mais a atenção, "robôs".
Robôs são "pessoas virtuais" que automatizam tarefas. Você lida com robôs do mesmo jeito com que lida com seus contatos: escrevendo mensagens. É possível, por exemplo, pedir para o robô Searchy fazer buscas no Google para você:

Os robôs "conversam" com humanos e com outros robôs. As possibilidades são, portanto, infinitas. É o paraíso dos desenvolvedores.
Muito longe de estar pronto
Infelizmente ainda não é possível ter a noção perfeita de tudo o que o Wave pode oferecer. A versão disponível é "developer preview". Na cadeia alimentar de software, isso significa que o produto ainda está no pré-pré-pré-pré-alpha, muito longe de ser usável.
O Wave exige browser compatível com HTML 5. Testei em dois navegadores - Firefox 3.5 final e Google Chrome 3.0 beta (ambos no Linux). Em ambos, o Google Wave é lento e trava com muita frequência. Quando isso acontece, ele coloca sobre a tela uma tarja preta e pede ao usuário um "refresh":

Além dos travamentos constantes, não consegui fazer nenhum robô responder aos meus pedidos, certas waves simplesmente não queriam ser apagadas e algumas opções da interface não funcionavam de jeito nenhum. Mas, tudo bem: é só uma demonstração para desenvolvedores. Nós sabemos que o Wave ainda está muito cru. E aguardamos ansiosamente pelo lançamento de versões mais próximas da final.
E o futuro?
Estou convencido de que o Wave pode ser realmente revolucionário. Caso cumpra tudo o que promete, pode tomar o lugar do e-mail e do mensageiro instantâneo sim. Inclusive, a arquitetura é tão poderosa e flexível que tem potencial para substituir sistemas especialistas, como os de blogging e CMS.
Mas, se eu fosse o Google, investiria muito, mas muito mesmo, em interface e marketing. Hoje o Wave tem uma cara nerd demais. OK, é o jeitão do Google mesmo. Mas o geekismo exagerado não impediu que o principal produto do Google - sua busca - seja universalmente fácil de usar. O problema é que o Wave é um produto complexo por conceito; levá-lo às massas será desafio bem maior. Tomara que consigam. Seria uma pena ver uma iniciativa tão legal quanto o Wave se tornar um produto de nicho.
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