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Sábado, 09 de Maio de 2009 | 01:29 UTC-3 | | Sem comentários
Enquanto navego tranquilamente, meu TwitterFox está sintonizado em um monte de pessoas, mostrando o que eles produzem em tempo real. É, parece mesmo um super rádio. Todo mundo que usa há algum tempo o Twitter já se acostumou a responder: mas, afinal, o que é o Twitter? As respostas são variadas: é uma rede social; é uma ferramenta de microblogging; é uma espécie de mensageiro instantâneo coletivo. Bom, é tudo isso mesmo. Mas tenho cá comigo uma resposta que acho mais completa: o Twitter é o rádio da internet.
É, rádio. O centenário rádio. Ele foi reinventado na internet, numa versão em que é possível sintonizar várias estações ao mesmo tempo e também transmitir. Principalmente se você usa um cliente de Twitter ao invés do site - e quem não usa? Eu, por exemplo, uso o TwitterFox, que me passa exatamente a sensação de rádio.
O segredo do Twitter é o tamanho de suas mensagens. O limite de 140 caracteres veio, certamente, por uma questão de adaptação às mensagens de texto dos celulares. Mas isso, sem querer, definiu a instantaneidade do novo meio. Os 140 caracteres dos tweets recortam o tempo em pedaços menores, formando assim uma "linha" mais próxima de como percebemos a realidade.
O tempo fatiado em pequenas tiras do Twitter é mais próximo do tempo real do que o recorte mais largo efetuado pela TV ou jornal. Veja como o gráfico em verde parece mais definido.
É uma linha quase contínua, como a do rádio. Outros meios - TV, jornal, websites tradicionais - têm modelos complexos de edição e não conseguem entregar informação tão rapidamente, recortando o tempo em pedaços maiores, mais distantes da "linha" temporal contínua da realidade.
E a publicidade?
Duas das premissas básicas da publicidade são o mimetismo e a interrupção. Mimetismo quer dizer que o anúncio deve se parecer um pouco com o conteúdo que o rodeia. Os comerciais de TV, por exemplo, são filminhos em tudo parecidos com telenovelas. É a mesma linguagem.
Interrupção significa que o conteúdo básico da emissão deve parar para que a mensagem publicitária seja transmitida. Na TV o programa é literalmente interrompido para que haja propaganda - é o intervalo comercial. No jornal o intervalo está no ato de folhear (sim! ao folhear o jornal você precisa parar uma leitura específica e ver tudo que está nas páginas, incluindo os anúncios). Não há como escapar.
A publicidade de internet (pelo menos aquela publicidade "baunilha" de banners) não se enquadra nessas regras. Um banner piscante e ultra-animado não se assemelha nem um pouco com o visual sóbrio dos textos dos sites de conteúdo, e mesmo assim não domina a navegação (a estrutura de hiperlink independe da visualização completa de uma página).
Por isso o retorno desse tipo de publicidade é tão pequeno. Portais e demais veículos de informação online quebram a cabeça para resolver esse problema. Não é fácil.
Creio que o Twitter possa resolver isso. Ao substituir a navegação por um acompanhar mais passivo de pequenos fragmentos de texto, o Twitter oferece a melhor plataforma para publicidade na internet desde os AdWords do Google. Um anúncio de texto entre tweets me parece o equivalente perfeito de um anúncio radiofônico: feito na mesma linguagem do conteúdo e interrompendo brevemente o fluxo de informação, mas de uma maneira tão natural que não chega a incomodar.
O que já existe
Uma quase-experiência nacional é o AdBird, do Marco Gomes (o mesmo do Boo-Box). Na verdade ele é um "disparador" automático de tweets, alimentado por RSS. Pode ser usado para conteúdo, mas como seu nome evidencia, casa-se perfeitamente com publicidade. Por enquanto ainda é um pet project de seu criador, mas vejo potencial.
Lá fora, o Magpie ficou controverso e famoso. Ele funciona como um AdSense para Twitter. Twiteiros se inscrevem e "alugam" suas senhas para que anunciantes da rede mandem, de vez em quando, um tweet ou outro através de suas contas. O valor da publicidade é dividido entre rede e twiteiro. É tão parecido com o AdSense que até os tweets publicitários se casam com o conteúdo mais comumente enviado pelo twiteiro.
O Twittertise é diferente. Ao invés de uma rede de publicidade, é uma espécie de DoubleClick ultra simples para tweets. Pré-agende tweets e controle cliques - só isso. Encontrar anunciantes fica por sua conta.
Por que publicidade no Twitter pode ser tão legal
Mesma linguagem do conteúdo: texto, link, hashtag
Sempre vista: se integra suavemente ao fluxo de leitura
Baseada em exibição: e mede-se precisamente quem recebe o anúncio
Opt-in: opta-se por seguir tal twiteiro, assim como optamos por ler tal site
Viral: se for relevante, o anúncio pode ser retuitado
Interativa: internautas podem responder aos anúncios
Explorando ainda mais o Twitter
Outra característica muito forte no Twitter é a verticalização. Como só se segue quem realmente se deseja ler, os usuários querem twiteiros que correspondam bem precisamente às suas necessidades. Eu, por exemplo, não seguiria um twiteiro que fale sobre todos os times de futebol do Brasil. Mas sigo os que falam do São Paulo :)
Eis um campo aberto para empresas que desejam praticar marketing direto. Quer divulgar ofertas, promoções ou seus catálogos? Crie perfis bem verticais, bem específicos, no Twitter e veicule ofertas. As pessoas que seguirem esses perfis estarão assinando virtualmente um atestado de interesse. São belíssimos prospects.
Uma experiência de que gosto muito é a da Dell brasileira. Ela twita somente suas ofertas, cerca de duas a três vezes por dia. Claramente para testar o meio, a Dell faz promoções relâmpago e as promove pelo Twitter. Imagino que dê resultado - já são mais de 3 mil seguidores.
Fico pensando...
O Twitter está sempre com a compra cogitada e sempre anunciando que não está à venda. Diz-se que ele tem dinheiro de sobra para mais um ou dois anos sem receita. Será?
Enquanto isso, o "modelo de negócio" do Twitter vai virando uma lenda como o Duke Nukem Forever. Fala-se em cobrar pelos perfis de empresas que usam o Twitter (como a Dell citada acima).
Por que o Twitter não investe no filão puro e simples da publicidade "twitada"? Imagino que uma rede de publicidade oficial - baseada nos perfis e repartindo a receita com os geradores de conteúdo - possa ser uma mina de ouro. Com potencial de se tornar ainda mais relevante para a publicidade online do que os links patrocinados de busca. Nesse sentido, um verdadeiro "Google killer" - de repente a última chance de surgir um.
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