Como você prefere suas notícias? As minhas bem passadas, por favor #midia

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Terça, 12 de Maio de 2009 | 01:43 UTC-3 | | Sem comentários

por Adriano Brandão @adrianosbr (É você? Clique para confirmar)

(cc) TheBusyBrain(cc) TheBusyBrain Não, o assunto não é o Kindle nem algum tipo de salvação dos jornais. É algo mais trivial, mais dia-a-dia mesmo: como você consome noticiário online?

Inicio o debate porque hoje o New York Times lançou uma versão nova de seu TimesReader. Lançado em 2006 em parceria com a Microsoft (agora, 2.0, foi refeito para a plataforma Adobe AIR), o TimesReader é um jeito "aplicação" de se ler noticiário na internet.

Isso significa que o leitor (pagante, aliás) do TimesReader não usa o navegador web normal para ler o NYT. Ele instala um outro software, dedicado somente a essa tarefa, que tem um look'n'feel todo próprio e, de alguma maneira, tem recursos que uma página web comum não tem. No caso do TimesReader, o assinante pode ler os conteúdos da edição do dia do jornal, mais o que é atualizado no site, mais vídeos, artigos, colunas e... bom, é melhor assistir ao vídeo.

Parece um site, mas não é. É o TimesReader, um aplicativo todo especial para você ler suas notícias.Parece um site, mas não é. É o TimesReader, um aplicativo todo especial para você ler suas notícias. Sabe o que o "app mode" me lembra? Os softwares de iPhone. Um download, uma interface própria, uma sensação gostosa de ter algo especial e personalizado. Josh Quittner, da Time, chamou essa tendência de "appgazines", uma mistura de applications com magazines.

Sabe outra coisa que o "app mode" me lembra? O jardim murado da AOL. É algo assim: "pague uma mensalidade e divirta-se com nosso conteúdo. Para nós, o mundo começa aqui e termina logo ali. O resto não é da nossa conta."

Notícias bem passadas

O TimesReader é reflexo da busca incessante dos jornais americanos por diferenciação na fauna online. Se as notícias não são tão novas assim, que pelo menos a interface de leitura seja premium, repleta de chicachicabuchi.

Outra tendência atual é o fim do "syndication" em detrimento da "curation". Difícil encontrar termos adequados em português. "Syndication" é a redifusão de conteúdo. Quando um programa passa em várias emissoras, está sendo "syndicated". "Curation" é a seleção de conteúdo. Quando alguém escolhe cuidadosamente notícias de outros veículos e as repassa, está fazendo o papel de um "news curator".

Na web, o grande syndicator não é nem uma pessoa nem uma empresa, é uma convenção: o RSS. Através de leitores RSS - e o Google Reader é o leitor arquetípico -, internautas recebem, passivamente, notícias de suas fontes prediletas sem acessar seus sites. A experiência de leitura se uniformiza: no Google Reader, tudo fica com cara de Google Reader e o leitor nem percebe mais se a notícia é do New York Times ou do blog do vizinho. O que interessa é o conteúdo puro.

Um meio-termo entre o syndication e a curation são ferramentas como Digg, de um lado, e Google News, de outro. No Digg, o mais popular vence. É a audiência que seleciona as notícias. No Google News é um algoritmo, um robô, que escolhe as notícias. Nem sempre acerta.

A curation acontece quando o robô do Google News é substituído por um ser humano. Isso acontece no Huffington Post, o exemplo clássico. Outro exemplo: Techmeme. O segredo aqui é a criação de uma cadeia de valor agregado a partir da notícia. Quando um artigo é escrito pelo NYT, tem um valor. Referenciado - "passado" - pela Arianna Huffington, ganha um peso extra.

The ultimate curation machine

(cc) Robert Scoble(cc) Robert Scoble É o Twitter. Sua estrutura de seguidores e retweets o transformou em uma máquina de referenciar links. Quando alguém cita um link no Twitter, está emprestando sua credibilidade àquele artigo. Quando seus seguidores repassam o link adiante, estão adicionando novo valor à cadeia. É uma verdadeira pirâmide de reputação e capital social.

Assim, ao escolher os twiteiros que deseja seguir, o internauta está, na verdade, não apenas escolhendo fontes primárias de conteúdo original - como faz ao assinar feeds RSS, por exemplo - mas também escolhendo os filtros pelos quais deseja receber conteúdo de terceiros. É uma espécie bem complexa de RSS por procuração, em tempo real. Não à toa já tem gente decretando a morte do RSS.

Eu gosto de todas as experiências de leitura. Ainda sou fascinado por revistas (as de papel, bem entendido). Acesso vários sites e portais por dia. Mantenho um Google Reader lotado de feeds. Estou louco por um iPhone com seus ícones coloridos e aplicações repletas de chicachicabuchi. Mas confesso que é no Twitter que ando me informando ultimamente. Ao contrário do churrasco, a minha notícia eu prefiro bem passada. E você?

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Página gerada em 31 de Jul de 2010, 17:29:39