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Sexta, 15 de Maio de 2009 | 01:55 UTC-3 | | Sem comentários
(cc) Mykl Roventine Sexta, dia 15 de maio, irá ao ar o Wolfram|Alpha. O Wolfram|Alpha é daqueles sites/serviços difíceis de se descrever. O slogan oficial diz que o W|A é uma "máquina de conhecimento computacional". Em termos práticos: você escreve uma frase (ou uma pergunta) na tela do W|A e ele não retorna uma lista de links, mas o conhecimento que você deseja já estruturado.
Segundos após o anúncio do W|A, ele ganhou um rótulo: o de "Google-killer". Agora sim, falaram, finalmente alguém pode ser tão bom quanto o Google! Prognóstico tão rápido se explica: prever Google-killers é o esporte favorito dos analistas de tecnologia.
(E, vejam só, já existe o Wolfram|Alpha-killer! O Império contra-ataca...)
Na semana passada, quando o Twitter anunciou que estava analisando a possibilidade de analisar os links twitados para refinar a sua busca, vários blogueiros afirmaram que a busca em tempo real pode, sim, competir com o Google. Em outras palavras: eleito mais um Google-killer.
Em retrospectiva é ainda mais engraçado. No segundo semestre de 2008 o Google-killer, tornado famoso pelo New York Times, era o Cuil. Antes do Cuil, o Google-killer da vez era - pode rir - o Wikia Search.
OK, é da natureza humana não gostar dos líderes e imaginar, romanticamente, o surgimento do Davi que derrota Golias. Mas imagine um mundo em que o Google divida o mercado de buscas com outro sistema. É um mundo bom?
Afinal, um Google-killer é mesmo necessário?
Sim, não podemos viver na dependência de um monopólio
Nesta quinta-feira o Google (integralmente ou em partes) ficou fora do ar em várias partes do mundo. A explicação do Google é de erro no roteamento da rede ("o avião em que você estava foi para a Ásia e por isso demorou mais para chegar", na metáfora oficial...).
Em azul, quem conseguia usar o Google. Por muitos minutos, a cor sumiu do gráfico.
A Arbor Security pintou uma versão apocalíptica do dia do "googlapso", em que desapareceu 5% de todo o tráfego da internet. O VentureBeat foi além - quando o Google falha, a internet falha - e refletiu: "estamos todos terrivelmente dependentes do gigante das buscas".
Um mundo em que um competidor consiga equilibrar as forças com o Google - seja ele Wolfram|Alpha, seja ele Twitter - é também um mundo menos dependente de um site só. Quando o Google ficar alguns minutos fora do ar, será notícia certamente, mas não o desespero. E a concorrência fará o Google pensar duas vezes antes de impor alguma prática. Não será mais o deus Google, mas apenas uma boa busca. É tudo o que precisamos.
Não, o mercado de busca tende ao monopólio e isso é melhor para nós
(cc) Larsz Lembra como era a vida online antes do Google? Uma busca no AltaVista não era boa o suficiente. Então pedíamos segundas opiniões: íamos também ao Lycos, ao AskJeeves, ao Fast, ao Excite, ao HotBot, ao Inktomi, ao... enfim.
A busca é o distribuidor da internet, caótica e descentralizada por design. O problema de termos múltiplos distribuidores é que eles aumentam o caos natural da web: cada um mapeava a web de um jeito, criando "webs paralelas". Existia a web do AltaVista, a web do Lycos, a web do HotBot e assim por diante.
Sem um único distribuidor competente, nossa experiência de navegação acabava ficando dependente de sites, revistas e prêmios que nos ensinavam "os sites mais úteis", "os serviços matadores", "os maiores da web". Na prática, só os grandes tinham vez e adeus cauda longa. Era a época dos grandes portais - eles mandavam.
O Google tornou-se um monopólio porque o mercado de busca tende naturalmente à concentração. Faz parte do tipo de negócio. O mesmo acontece com listas telefônicas ou classificados: ninguém gosta de fazer dezenas de pesquisas para encontrar algo; e nenhum anunciante quer gerenciar sua presença em muitos lugares diferentes. Quando surge alguém competente nessas áreas, normalmente torna-se monopólio.
Foi o que aconteceu com o Google. Seu monopólio facilita nossa vida. Ainda por cima temos sorte por ele ser um deus tão benevolente.
Sim? Não? Qual a sua opinião?
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